VÁRZEA GRANDE
Programação encerra dia com debates sobre violência, política e autonomia feminina
VÁRZEA GRANDE
“Quebrar o ciclo da violência exige ação e consciência. As leis existem, mas muitas vezes não são aplicadas. Precisamos educar nossos filhos para um futuro sem violência, começando dentro de casa, nas escolas e igrejas”
O projeto “VG com Elas – Várzea Grande para Grandes Mulheres” teve um dia marcado por reflexões profundas sobre autonomia feminina, violência de gênero e participação política. Lideranças e especialistas se reuniram ontem (20) para discutir temas essenciais para o avanço dos direitos das mulheres, encerrando a programação do dia com três importantes eventos na cidade. A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, destacou a necessidade de romper o ciclo da violência contra a mulher e reforçou a importância da união feminina nessa luta. “É nossa obrigação dar voz às que foram silenciadas e garantir que nossas filhas tenham um futuro mais seguro e justo”, afirmou a prefeita.
A roda de conversa “Saúde, Direito e Proteção das Mulheres”, realizada na Câmara Municipal de Várzea Grande e organizada pela vereadora Lucélia Oliveira, foi o primeiro evento da noite e trouxe à tona a baixa representatividade feminina na política. Em sua fala, Lucélia destacou que, apesar das mulheres representarem mais de 50% do eleitorado, apenas três delas ocupam cadeiras entre os 23 vereadores da cidade. “Meu sonho é ver mais mulheres eleitas e apoiando outras mulheres”, ressaltou a vereadora.
A ex-senadora Serys Slhessarenko compartilhou sua trajetória política e os desafios enfrentados ao longo dos anos. “Fui deputada federal e senadora quando ainda não havia nem banheiro para mulheres no Congresso. Sofri discriminação, agressões físicas e psicológicas, mas nunca deixei de lutar. Todas as leis que garantem nossos direitos foram conquistadas na política, e é por isso que precisamos ocupar esses espaços”, afirmou.
A DOR SILENCIOSA – A psiquiatra, Mikaelle Dias Barreto, especialista em violência contra a mulher, alertou sobre os impactos silenciosos da violência psicológica e emocional. “Muitas mulheres vivem traumas invisíveis que destroem sua autoestima e saúde mental. Precisamos estar atentas às mudanças de comportamento ao nosso redor – tristeza, isolamento, ansiedade – pois são sinais de alerta”.
A delegada, Jannira Laranjeira, ex-coordenadora de Enfrentamento à Violência contra a Mulher da Polícia Civil de Mato Grosso, fez um depoimento forte ao revelar que sofreu abuso na infância dentro do ambiente familiar. “O silêncio protege os agressores. Meu processo de cura começou quando decidi falar. Precisamos dar voz às mulheres e garantir que elas sejam ouvidas e protegidas”.
A advogada criminalista, Íris Dias Gonçalves, reforçou que a violência psicológica é tão devastadora quanto a física. “Ela causa danos irreversíveis e ainda é minimizada pela sociedade. Quantas mulheres não estão nos noticiários como vítimas? Esse mês seria muito melhor se tivéssemos menos casos de feminicídio para lamentar”.
AUTODEFESA E EDUCAÇÃO – Além das discussões, o evento contou com uma demonstração de técnicas de defesa pessoal para mulheres, conduzida pelo advogado e especialista em Krav Maga, Leonardo Borcchese.
A prefeita Flávia Moretti, última a falar, trouxe uma reflexão essencial sobre o combate à violência e a importância da educação. “Quebrar o ciclo da violência exige ação e consciência. As leis existem, mas muitas vezes não são aplicadas. Precisamos educar nossos filhos para um futuro sem violência, começando dentro de casa, nas escolas e igrejas. Quero implementar o ensino de defesa pessoal para meninas e meninos em Várzea Grande, pois essa é uma ferramenta real contra o feminicídio”.
Ela também parabenizou a vereadora Lucélia Oliveira por sua trajetória e destacou as dificuldades que mulheres enfrentam ao ocupar cargos políticos. “Muitos homens ainda têm dificuldade em ouvir uma mulher e reconhecer sua sabedoria. Mas é na política que mudamos realidades e nós precisamos confiar mais umas nas outras”.
ENCERRAMENTO E RECONHECIMENTO – Ao final do evento, foram entregues moções de aplausos às mulheres que participaram da roda de conversa. As secretárias Cristina Saito (Assistência Social) e Iná de Maria (Assuntos Estratégicos) também foram homenageadas.
Paralelamente, ocorreram outras duas ações dentro da programação do “VG com Elas”: o workshop “Estruturando as Finanças no seu Empreendimento”, na CDL/VG, e o culto Mulheres no Altar, realizado na Igreja Adventista do Sétimo Dia Madureira.
O projeto “VG com Elas – Várzea Grande para Grandes Mulheres” é uma realização coletiva com o apoio da Prefeitura de Várzea Grande e diversas entidades, incluindo ARVEND, ABMCJ-MT, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de VG, Mulheres do Bem, BPW Brasil de VG, Fórum das Mulheres Negras, CDL, ALMT e Sebrae.
VÁRZEA GRANDE
Zoonoses de Várzea Grande faz alerta para alta de casos positivos e pede atenção da população aos sinais da doença
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Várzea Grande sempre foi uma região considerada endêmica para a Leishmaniose Visceral Canina (LVC), uma doença de caráter zoonótico causada por um protozoário do gênero Leishimania, transmitida pela picada do mosquito-palha e portanto afetando tanto humanos quanto animais. Não passa diretamente de uma pessoa para outra, no entanto, começa silenciosa e justamente por isso, vai se proliferando por meio do ataque dos mosquitos palhas, pois precisa do mosquito Lutzomyia longipalpis e outras espécies do gênero para disseminação da doença.
No ambiente urbano, o cão atua como o principal reservatório do protozoário. Portanto, o aumento de casos nos animais eleva diretamente o risco de contágio para os seres humanos.
Como explica o Médico Veterinário e Responsável Técnico do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ VG), Luciano Miranda, a pressão da doença no Município deixa as autoridades em Saúde Pública sempre em alerta. “Somente neste ano, de janeiro a junho, já registramos quase 500 testes realizados em animais suspeitos de LVC em Várzea Grande. Uma das explicações para alta incidência está no avanço do desmatamento urbano, com as habitações e a circulação de pessoas avançando cada vez mais nessas regiões. Um exemplo dessa realidade no Município é a região do Jardim Maringá, em plena expansão, e concidentemente tendio um aumento de sua incidência nessa região.
Apesar do bairro ser destaque nesse mapeamento, o Médico Veterinário faz questão de ressaltar que a doença não pode mais ser ‘marginalizada’, pois já se encontram casos de cães positivos que vivem com seus tutores em apartamentos. Essa constatação só reforça o sinal de alerta para a prevenção e cuidados com nossos pets”.
SINAIS DE ALERTA – O Dr. Luciano chama à atenção para sintomas clássicos como o emagrecimento sem sentido algum, onde o animal muitas vezes está comendo bem, porém o pet nunca engorda e fica na situação cada vez mais de emagrecimento. Isso porque provavelmente a doença já atingiu fígado, o baço, que são um dos órgãos mais acometidos pela doença. No geral o animal come, mas o fígado atacado e inflamado, não consegue atuar de forma normal em seu auxílio à digestão, levando ao emagrecimento progressivo. Além do emagrecimento, existem as feridinhas, queda de pelos, etc onde essas feridas acabam por nunca se cicatrizarem, principalmente em extremidades de focinho e pavilhão auricular, etc. Em relação à crença de que unhas compridas são sinal de leishmaniose, Miranda esclarece que nem sempre essa observação é o suficiente para se condenar um animalzinho, pois fatores externos, como o piso liso farão com que o cãozinho não tenha o desfaste de suas unhas. Aí existem pessoas que por causa da unha trazem o cãozinho no CCZ para eutanásia”.
Sobre a eutanásia, ela só é feita no CCZ VG quando há comprovação do diagnóstico da doença, conforme determinação do Ministério da Saúde. “O diagnóstico é essencial, pois hão doenças que parecem ser a leishmaniose sendo confundidas com a mesma, daí sendo interessante fazermos os testes diagnósticos para a comprovação ou não da doença. Dentre doenças que podem ser confundidas com a Leishimaniose, temos
doenças bacterianas, fúngicas, doenças auto imunes e até mesmo a sarna. “Infelizmente a população muitas vezes chega aqui impondo eutanásia no animal sem qualquer comprovação. Diante da nossa negativa em relação ao sacrifício, há agressões com palavras e ameaças de todo tipo”, lamenta.
Em caso de suspeita, o tutor pode levar o animalzinho até o CCZ VG para realizar a testagem e confirmação ou não da doença. O CCZ diariamente realiza o teste de triagem dos casos suspeitos sendo o diagnóstico final realizado pelo laboratório do Estado (Lacen), necessitando assim da comprovação de todos os testes citados para a comprovação da doença.
“A população em geral precisa entender que cachorro com excesso de carrapatos, cachorro com viroses como Parvovirose e Cinomose não são casos de atendimento do CCZ por não se tratarem de zoonoses. Nós não somos centro de descarte de animais. Somos um centro de controle e prevenção de zoonoses”, desabafa o Responsável Técnico.
MANEJO – A equipe veterinária do setor de monitoramento de zoonoses reforça que os números refletem uma urgência de mobilização social. “Precisamos que a população entenda que o combate ao vetor é a única forma de interromper essa cadeia de transmissão e esse combate é o mesmo que vale para o Aedes aegypti”, reforça o Médico Veterinário.
Como não há campanhas públicas de vacinação em massa contra a leishmaniose voltadas para animais, as diretrizes do Ministério da Saúde focam no manejo ambiental e na proteção individual dos cães. A recomendação técnica principal foca no uso de barreiras químicas e físicas.
“O uso contínuo de coleiras repelentes à base de deltametrina e a limpeza rigorosa de quintais, eliminando folhas e frutos caídos (matéria úmida) são no entanto as únicas barreiras eficientes para proteger as famílias e os pets”, completa.
SERVIÇO – Os moradores que precisarem realizar testes em seus animais ou denunciar focos de alta infestação podem entrar em contato com o CCZ de Várzea Grande em horário comercial, localizado na Rua 42, Bairro Jardim Paiaguás I, ou, pelo (65) 98476-5719.
Galeria de Fotos (2 fotos)
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