VÁRZEA GRANDE
Pauta ambiental deixa de ser apenas um ato comemorativo em Várzea Grande
VÁRZEA GRANDE
Em parceria, Semana do Meio Ambiente terá ações concretas: “É hora de sair do discurso e encarar os problemas de frente”, afirma a prefeita Flávia Moretti
“Em Várzea Grande, temos buscado transformar a pauta ambiental em prática efetiva. A Semana do Meio Ambiente é um exemplo disso: planejamos ações nas escolas, plantios, limpeza à margem do Rio Cuiabá, debates técnicos e planejamento urbano com foco na sustentabilidade. É hora de sair do discurso e encarar os problemas de frente, com coragem, união e responsabilidade com o futuro da nossa cidade. Meio ambiente não é tema só de data comemorativa, é compromisso diário de gestão”.
A pontuação é da prefeita Flávia Moretti (PL) sobre a Semana de Meio Ambiente que será realizada de 2 a 6 de junho, e que vai além das datas comemorativas e parte para a prática. Sob coordenação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável (SEMMADRS), e com apoio de parceiros como o TCE-MT, Ministério Público e Ministério do Meio Ambiente, a cidade se mobiliza para enfrentar de forma educativa e estratégica os desafios ambientais locais.
A programação começa na segunda-feira (2), às 8h, na Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) ‘Benedita Bernardino Curvo’, com capacitação dos servidores da escola para a realização da oficina “Pequenos Guardiões da Natureza”, oferecida pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (SMECEL) e a SEMMADRS.
A ação culmina na terça-feira (3), com a realização da gincana ecológica entre os alunos da unidade escolar. De forma lúdica e interativa, crianças de 6 a 11 anos aprenderão sobre reciclagem, consumo consciente, preservação da água e descarte correto de resíduos. A atividade inclui jogos, cartazes, oficinas de reutilização criativa, caminhadas ecológicas, plantios coletivos de mudas nativas e peças teatrais com temáticas ambientais.
“Buscamos o TCE-MT como parceiro justamente por sua atuação com projetos de educação ambiental voltados aos municípios da Baixada Cuiabana e não podíamos ficar de fora. Queremos que essas ações deixem sementes dentro da escola. Capacitar servidores e professores é a chave para que a pauta ambiental permaneça ativa no dia a dia dos alunos, mesmo após a Semana do Meio Ambiente”, afirmou o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável, Ricardo Amorim.
Além da formação das crianças, os educadores e gestores escolares também serão preparados para manter projetos contínuos relacionados à sustentabilidade.
Oficina Participativa marca o ponto alto da semana – Na quarta-feira (5), a programação ganha peso institucional com a realização da Oficina Participativa e Visita Guiada do Programa Cidades Verdes Resilientes (PVCR), promovida em parceria com o Ministério Público do Estado de Mato Grosso e o Ministério do Meio Ambiente. O encontro será realizado em formato híbrido, das 8h às 18h, com abertura no auditório do Ministério Público em Várzea Grande.
Ricardo Amorim explica que o foco será a apresentação e discussão do ZAM – Zoneamento Ambiental Municipal, um instrumento fundamental para o planejamento urbano sustentável, que leva em conta os impactos das mudanças climáticas. Os técnicos do MMA vão colher contribuições dos representantes municipais para ajustar a metodologia e elaborar a minuta do decreto de regulamentação.
“Essa é uma oportunidade histórica para Várzea Grande. Vamos colocar todos os setores da Prefeitura para discutir o que realmente importa: como a cidade vai enfrentar enchentes, erosões e eventos climáticos extremos que se intensificam a cada ano”, afirmou Amorim. “Convidamos todas as secretarias envolvidas com ações de emergência — Defesa Civil, Obras, Saúde, Urbanismo, Serviços Públicos, entre outras — para vivenciar na prática os locais mais afetados pelas chuvas e buscar soluções sob orientação técnica do governo federal”.
No período da tarde, será realizada a visita guiada aos pontos críticos de alagamento, onde serão discutidas Soluções Baseadas na Natureza (SBN) para tornar a cidade mais resiliente.
Plantio de árvores e mobilização cidadã – Na quinta-feira (5), das 8h às 10h, a ação se desloca para a região da Ponte Sarita Baracat, onde será realizado um plantio coletivo de mudas nativas, com apoio da empresa Refrigerantes Marajá e participação dos funcionários. A área urbana próxima à ponte, recentemente inaugurada, será arborizada para recuperar o solo, evitar erosões e melhorar a paisagem urbana, além de promover biodiversidade.
“Quando a iniciativa privada se junta ao poder público para plantar árvores, estamos dizendo com ações que o meio ambiente é responsabilidade de todos”, reforçou Amorim.
Encerramento com gesto simbólico e alerta ambiental – Na sexta-feira, 6, encerra-se a programação com um Mutirão de Limpeza às margens do Rio Cuiabá, na Passagem da Conceição, das 8h às 12h. O ato simbólico será realizado em parceria com a EMEB ‘Dr. João Ponce de Arruda’, a Secretaria de Serviços Públicos, associações de catadores e o Coletivo Lixo Zero, alertando para a urgência da preservação dos recursos hídricos.
“O Rio Cuiabá precisa de atenção. Mais do que limpar, queremos chamar a população para a responsabilidade com seus rios, seus resíduos, sua cidade. Se cada um fizer sua parte, os impactos positivos são imediatos. E essa semana mostra que o poder público está fazendo a dele”, finalizou a prefeita Flávia Moretti.
Confira a programação completa da Semana do Meio Ambiente em Várzea Grande:
Segunda (02/06) – 8h às 10h
Treinamento para servidores da EMEB Benedita Bernardino Curvo (TCE-MT/SMECEL)
Terça (03/06) – 9h às 11h
Gincana “Pequenos Guardiões da Natureza” com alunos da EMEB Benedita Bernardino Curvo
Quarta (04/06) – 8h às 18h
Oficina Participativa e Visita Guiada do Programa Cidades Verdes Resilientes (Ministério do Meio Ambiente/MPMT)
Auditório do Ministério Público de Várzea GRande + Visita a áreas críticas de enchente
Quinta (05/06) – 8h às 10h
Plantio de mudas nativas na região da Ponte Sarita Baracat
Parceria com a empresa Refrigerantes Marajá
Sexta (06/06) – 8h às 12h
Mutirão de Limpeza do Rio Cuiabá
Passagem da Conceição – com participação de alunos, catadores e sociedade civil organizada
VÁRZEA GRANDE
Zoonoses de Várzea Grande faz alerta para alta de casos positivos e pede atenção da população aos sinais da doença
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Várzea Grande sempre foi uma região considerada endêmica para a Leishmaniose Visceral Canina (LVC), uma doença de caráter zoonótico causada por um protozoário do gênero Leishimania, transmitida pela picada do mosquito-palha e portanto afetando tanto humanos quanto animais. Não passa diretamente de uma pessoa para outra, no entanto, começa silenciosa e justamente por isso, vai se proliferando por meio do ataque dos mosquitos palhas, pois precisa do mosquito Lutzomyia longipalpis e outras espécies do gênero para disseminação da doença.
No ambiente urbano, o cão atua como o principal reservatório do protozoário. Portanto, o aumento de casos nos animais eleva diretamente o risco de contágio para os seres humanos.
Como explica o Médico Veterinário e Responsável Técnico do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ VG), Luciano Miranda, a pressão da doença no Município deixa as autoridades em Saúde Pública sempre em alerta. “Somente neste ano, de janeiro a junho, já registramos quase 500 testes realizados em animais suspeitos de LVC em Várzea Grande. Uma das explicações para alta incidência está no avanço do desmatamento urbano, com as habitações e a circulação de pessoas avançando cada vez mais nessas regiões. Um exemplo dessa realidade no Município é a região do Jardim Maringá, em plena expansão, e concidentemente tendio um aumento de sua incidência nessa região.
Apesar do bairro ser destaque nesse mapeamento, o Médico Veterinário faz questão de ressaltar que a doença não pode mais ser ‘marginalizada’, pois já se encontram casos de cães positivos que vivem com seus tutores em apartamentos. Essa constatação só reforça o sinal de alerta para a prevenção e cuidados com nossos pets”.
SINAIS DE ALERTA – O Dr. Luciano chama à atenção para sintomas clássicos como o emagrecimento sem sentido algum, onde o animal muitas vezes está comendo bem, porém o pet nunca engorda e fica na situação cada vez mais de emagrecimento. Isso porque provavelmente a doença já atingiu fígado, o baço, que são um dos órgãos mais acometidos pela doença. No geral o animal come, mas o fígado atacado e inflamado, não consegue atuar de forma normal em seu auxílio à digestão, levando ao emagrecimento progressivo. Além do emagrecimento, existem as feridinhas, queda de pelos, etc onde essas feridas acabam por nunca se cicatrizarem, principalmente em extremidades de focinho e pavilhão auricular, etc. Em relação à crença de que unhas compridas são sinal de leishmaniose, Miranda esclarece que nem sempre essa observação é o suficiente para se condenar um animalzinho, pois fatores externos, como o piso liso farão com que o cãozinho não tenha o desfaste de suas unhas. Aí existem pessoas que por causa da unha trazem o cãozinho no CCZ para eutanásia”.
Sobre a eutanásia, ela só é feita no CCZ VG quando há comprovação do diagnóstico da doença, conforme determinação do Ministério da Saúde. “O diagnóstico é essencial, pois hão doenças que parecem ser a leishmaniose sendo confundidas com a mesma, daí sendo interessante fazermos os testes diagnósticos para a comprovação ou não da doença. Dentre doenças que podem ser confundidas com a Leishimaniose, temos
doenças bacterianas, fúngicas, doenças auto imunes e até mesmo a sarna. “Infelizmente a população muitas vezes chega aqui impondo eutanásia no animal sem qualquer comprovação. Diante da nossa negativa em relação ao sacrifício, há agressões com palavras e ameaças de todo tipo”, lamenta.
Em caso de suspeita, o tutor pode levar o animalzinho até o CCZ VG para realizar a testagem e confirmação ou não da doença. O CCZ diariamente realiza o teste de triagem dos casos suspeitos sendo o diagnóstico final realizado pelo laboratório do Estado (Lacen), necessitando assim da comprovação de todos os testes citados para a comprovação da doença.
“A população em geral precisa entender que cachorro com excesso de carrapatos, cachorro com viroses como Parvovirose e Cinomose não são casos de atendimento do CCZ por não se tratarem de zoonoses. Nós não somos centro de descarte de animais. Somos um centro de controle e prevenção de zoonoses”, desabafa o Responsável Técnico.
MANEJO – A equipe veterinária do setor de monitoramento de zoonoses reforça que os números refletem uma urgência de mobilização social. “Precisamos que a população entenda que o combate ao vetor é a única forma de interromper essa cadeia de transmissão e esse combate é o mesmo que vale para o Aedes aegypti”, reforça o Médico Veterinário.
Como não há campanhas públicas de vacinação em massa contra a leishmaniose voltadas para animais, as diretrizes do Ministério da Saúde focam no manejo ambiental e na proteção individual dos cães. A recomendação técnica principal foca no uso de barreiras químicas e físicas.
“O uso contínuo de coleiras repelentes à base de deltametrina e a limpeza rigorosa de quintais, eliminando folhas e frutos caídos (matéria úmida) são no entanto as únicas barreiras eficientes para proteger as famílias e os pets”, completa.
SERVIÇO – Os moradores que precisarem realizar testes em seus animais ou denunciar focos de alta infestação podem entrar em contato com o CCZ de Várzea Grande em horário comercial, localizado na Rua 42, Bairro Jardim Paiaguás I, ou, pelo (65) 98476-5719.
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