VÁRZEA GRANDE
Alunos vivenciam a agricultura familiar em assentamento de Várzea Grande
VÁRZEA GRANDE
O grupo visitou a propriedade do agricultor Francisco Villas Boas, que acaba de realizar a primeira colheita de melão em um talhão cultivado com técnicas modernas, manejo adequado
Estudantes da Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) ‘Byanka Capilé’, localizada no Assentamento Sadia III, participaram de uma aula de campo que uniu teoria e prática sobre um tema essencial para a comunidade: a agricultura familiar. A iniciativa levou os alunos a conhecerem de perto como funciona a produção em pequenas propriedades, mostrando que sair da sala de aula amplia o aprendizado e conecta os jovens com a realidade em que vivem.
O grupo visitou a propriedade do agricultor Francisco Villas Boas, que acaba de realizar a primeira colheita de melão em um talhão cultivado com técnicas modernas, manejo adequado e apoio direto da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável (SEMMADRS), da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (EMPAER) e da COOPEVEG.
Além do melão, ele também cultiva melancia, abacaxi e abóbora cabotiã com irrigação por gotejamento, e mantém o projeto “Quintais Produtivos”, que integra a plantação em mandala, galinheiro e tanque elevado para criação de tilápia — usado não de forma comercial, mas como fonte de nutrientes para o solo e alimento para a família.
O secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável, Ricardo Amorim, destaca a importância da experiência para os alunos. “Mostrar para os filhos de pequenos agricultores que a agricultura familiar pode ser rentável, quando aliada à técnica, infraestrutura e políticas públicas, é fundamental para motivar esses jovens a valorizarem o campo e enxergarem futuro nele”, afirmou.
O coordenador de Desenvolvimento Rural da SEMMADRS, Leandro Luiz da Silva, acompanhou a atividade, juntamente com o técnico em agropecuária Wilson Márcio de Siqueira e o engenheiro agrônomo Rodrigo Duarte Monteiro, ambos da Secretaria, e reforçou a relevância da parceria institucional. “Nosso papel, junto com a Empaer, é levar assistência técnica, orientação e acompanhamento para que experiências como a do senhor Francisco se multipliquem. E nada melhor do que trazer os alunos para ver de perto o resultado desse trabalho, que alia conhecimento, sustentabilidade e renda”, explicou.
Ainda de acordo com Ricardo Amorim, a ação integra as políticas da Prefeitura de Várzea Grande voltadas para fortalecer a agricultura familiar. “Buscamos garantir qualidade de vida no campo e incentivar a permanência das novas gerações na atividade”, pontuou.
VÁRZEA GRANDE
Zoonoses de Várzea Grande faz alerta para alta de casos positivos e pede atenção da população aos sinais da doença
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Várzea Grande sempre foi uma região considerada endêmica para a Leishmaniose Visceral Canina (LVC), uma doença de caráter zoonótico causada por um protozoário do gênero Leishimania, transmitida pela picada do mosquito-palha e portanto afetando tanto humanos quanto animais. Não passa diretamente de uma pessoa para outra, no entanto, começa silenciosa e justamente por isso, vai se proliferando por meio do ataque dos mosquitos palhas, pois precisa do mosquito Lutzomyia longipalpis e outras espécies do gênero para disseminação da doença.
No ambiente urbano, o cão atua como o principal reservatório do protozoário. Portanto, o aumento de casos nos animais eleva diretamente o risco de contágio para os seres humanos.
Como explica o Médico Veterinário e Responsável Técnico do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ VG), Luciano Miranda, a pressão da doença no Município deixa as autoridades em Saúde Pública sempre em alerta. “Somente neste ano, de janeiro a junho, já registramos quase 500 testes realizados em animais suspeitos de LVC em Várzea Grande. Uma das explicações para alta incidência está no avanço do desmatamento urbano, com as habitações e a circulação de pessoas avançando cada vez mais nessas regiões. Um exemplo dessa realidade no Município é a região do Jardim Maringá, em plena expansão, e concidentemente tendio um aumento de sua incidência nessa região.
Apesar do bairro ser destaque nesse mapeamento, o Médico Veterinário faz questão de ressaltar que a doença não pode mais ser ‘marginalizada’, pois já se encontram casos de cães positivos que vivem com seus tutores em apartamentos. Essa constatação só reforça o sinal de alerta para a prevenção e cuidados com nossos pets”.
SINAIS DE ALERTA – O Dr. Luciano chama à atenção para sintomas clássicos como o emagrecimento sem sentido algum, onde o animal muitas vezes está comendo bem, porém o pet nunca engorda e fica na situação cada vez mais de emagrecimento. Isso porque provavelmente a doença já atingiu fígado, o baço, que são um dos órgãos mais acometidos pela doença. No geral o animal come, mas o fígado atacado e inflamado, não consegue atuar de forma normal em seu auxílio à digestão, levando ao emagrecimento progressivo. Além do emagrecimento, existem as feridinhas, queda de pelos, etc onde essas feridas acabam por nunca se cicatrizarem, principalmente em extremidades de focinho e pavilhão auricular, etc. Em relação à crença de que unhas compridas são sinal de leishmaniose, Miranda esclarece que nem sempre essa observação é o suficiente para se condenar um animalzinho, pois fatores externos, como o piso liso farão com que o cãozinho não tenha o desfaste de suas unhas. Aí existem pessoas que por causa da unha trazem o cãozinho no CCZ para eutanásia”.
Sobre a eutanásia, ela só é feita no CCZ VG quando há comprovação do diagnóstico da doença, conforme determinação do Ministério da Saúde. “O diagnóstico é essencial, pois hão doenças que parecem ser a leishmaniose sendo confundidas com a mesma, daí sendo interessante fazermos os testes diagnósticos para a comprovação ou não da doença. Dentre doenças que podem ser confundidas com a Leishimaniose, temos
doenças bacterianas, fúngicas, doenças auto imunes e até mesmo a sarna. “Infelizmente a população muitas vezes chega aqui impondo eutanásia no animal sem qualquer comprovação. Diante da nossa negativa em relação ao sacrifício, há agressões com palavras e ameaças de todo tipo”, lamenta.
Em caso de suspeita, o tutor pode levar o animalzinho até o CCZ VG para realizar a testagem e confirmação ou não da doença. O CCZ diariamente realiza o teste de triagem dos casos suspeitos sendo o diagnóstico final realizado pelo laboratório do Estado (Lacen), necessitando assim da comprovação de todos os testes citados para a comprovação da doença.
“A população em geral precisa entender que cachorro com excesso de carrapatos, cachorro com viroses como Parvovirose e Cinomose não são casos de atendimento do CCZ por não se tratarem de zoonoses. Nós não somos centro de descarte de animais. Somos um centro de controle e prevenção de zoonoses”, desabafa o Responsável Técnico.
MANEJO – A equipe veterinária do setor de monitoramento de zoonoses reforça que os números refletem uma urgência de mobilização social. “Precisamos que a população entenda que o combate ao vetor é a única forma de interromper essa cadeia de transmissão e esse combate é o mesmo que vale para o Aedes aegypti”, reforça o Médico Veterinário.
Como não há campanhas públicas de vacinação em massa contra a leishmaniose voltadas para animais, as diretrizes do Ministério da Saúde focam no manejo ambiental e na proteção individual dos cães. A recomendação técnica principal foca no uso de barreiras químicas e físicas.
“O uso contínuo de coleiras repelentes à base de deltametrina e a limpeza rigorosa de quintais, eliminando folhas e frutos caídos (matéria úmida) são no entanto as únicas barreiras eficientes para proteger as famílias e os pets”, completa.
SERVIÇO – Os moradores que precisarem realizar testes em seus animais ou denunciar focos de alta infestação podem entrar em contato com o CCZ de Várzea Grande em horário comercial, localizado na Rua 42, Bairro Jardim Paiaguás I, ou, pelo (65) 98476-5719.
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