Ministério Público MT
Lugar de Fala
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Kabengele Munanga já ensinava há muito tempo que o racismo brasileiro “não é o pior, nem o melhor, mas ele tem as suas peculiaridades, entre as quais o silêncio, o não dito”.
E uma das suas peculiaridades é esta proeza de existir de maneira silenciosa e invisível, de ser marcante e não ser percebido; marcante no aprofundamento de desigualdades e injustiças para milhões de negros brasileiros e com tamanha naturalidade, sem que seus malefícios à vida destes milhões sejam sequer notados pela parcela mais privilegiada da nossa estrutura social.
Outra de suas peculiaridades é essa característica bem curiosa da pessoa não-negra que não sofre racismo pretender ensinar aos negros que o sofrem diariamente, o que é ou não é racismo. Querer ensinar à vítima, sem viver a sua realidade, e sem conhecer a sua experiência pessoal de humilhação e de sofrimento, quando deve ou não manifestar a sua dor, dor esta que aflora no fundo da alma, e que só é conhecida na devida extensão e profundidade por quem verdadeiramente a vivencia. A quem não a sofre – e nem a conhece – cabe respeitar o sentimento alheio, e condenar sim o agente criminoso que pratica o racismo, mas não a sua vítima.
Em verdade, por exemplo, o persistente racismo suportado por Vinicius Jr. nos campos de futebol espanhóis (e sim, ele o suporta bravamente e com a dignidade altiva de quem luta e resiste) nos leva a uma inequívoca constatação: se nem a fortuna e a notoriedade por ele alcançados merecidamente o protegem do ódio e do racismo, imagine a humilhação e constrangimento a que são submetidos os milhões de negros anônimos por este Brasil brasileiro de preconceitos mil e inconfessáveis!
O racismo em nosso País é um problema sério e grave, e muito mais complexo do que o simplismo da ausência de empatia de quem não vive a sua triste experiência! Não conseguir enxergar que a maioria populacional negra deste País é uma maioria sem poder e marginalizada pela desigualdade de uma sociedade construída em quase quatrocentos anos de escravidão e racismo, é o exemplo acabado de quem só enxerga o mundo pela lente apenas dos seus próprios olhos e pelo interesse do seu próprio umbigo, completamente indiferente à sorte do seu semelhante!
Fonte: Ministério Público MT – MT
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MPMT e Prefeitura alinham ações para desocupação de áreas verdes
O avanço de ocupações irregulares em áreas públicas situadas nos loteamentos Senador Jonas Pinheiro e Residencial Ilza Therezinha Picoli Pagot foi tema de uma reunião realizada nesta sexta-feira (28) entre o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e a Prefeitura de Cuiabá. O encontro foi conduzido pela promotora de Justiça Maria Fernanda Corrêa da Costa, titular da 17ª Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística da Capital, e contou com a participação do Prefeito Abilio Brunini, da Secretária Municipal de Ordem Pública, Juliana Palhares, e de técnicos da administração municipal. Na ocasião, foram discutidas as medidas adotadas para conter novas invasões e garantir a proteção das áreas.Recentemente, o MPMT notificou o Município de Cuiabá para que, no exercício do poder de polícia administrativa, adotasse providências destinadas à desocupação de duas áreas verdes ocupadas irregularmente. Parte da região afetada está inserida em Área de Preservação Permanente (APP), com a presença de nascente difusa. A atuação ministerial considera o crescimento das ocupações em uma área classificada pela Defesa Civil como de alto risco, exigindo medidas preventivas para impedir novas construções e assegurar a preservação ambiental.Segundo a promotora de Justiça Maria Fernanda Corrêa da Costa, a atuação conjunta busca assegurar o cumprimento da legislação urbanística e ambiental. A região já havia sido alvo de ações fiscalizatórias anteriormente. Em abril de 2025, foram realizadas demolições de imóveis em construção e sem ocupação. Já na quinta-feira (27), uma nova operação resultou na demolição de 19 edificações desabitadas erguidas irregularmente na área invadida.De acordo com a secretária Municipal de Ordem Pública, Juliana Palhares, o trabalho da Prefeitura tem sido realizado em consonância com as orientações do Ministério Público. “A ação teve como foco construções sem ocupação identificadas durante o monitoramento da área. Além de famílias em situação de vulnerabilidade, foram encontradas edificações de grande porte e padrão construtivo elevado, evidenciando que parte das ocupações não está relacionada exclusivamente à necessidade de moradia. O Município seguirá adotando medidas para impedir novas invasões e garantir o cumprimento da legislação”, afirmou.A promotora de Justiça Maria Fernanda Corrêa da Costa reforçou que o Ministério Público continuará acompanhando o caso e adotando as medidas extrajudiciais e judiciais necessárias para promover a desocupação das áreas irregularmente ocupadas, assegurar a preservação das áreas verdes e proteger os recursos ambientais existentes na região.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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