VÁRZEA GRANDE
Prefeitura e Sociedade Bíblica do Brasil entregam bíblia em braile para deficientes visuais
VÁRZEA GRANDE
Ação possibilitou acesso ao livro sagrado pela primeira vez a muitos cegos que estão vivenciando a inclusão na prática em Várzea Grande
A Prefeitura de Várzea Grande e a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) entregaram, nesta terça-feira (8), uma bíblia – composta por 38 volumes – em braile destinada às pessoas com deficiência visual. A solenidade de entrega ocorreu na sala de reuniões do Paço Municipal.
Conforme a prefeita, Flávia Moretti (PL), sua gestão será inclusiva. “Minha primeira ação do dia, atualmente, é me alimentar com a palavra do Senhor, ou seja, ler a bíblia. É isso que me dá força a cada dia para cumprir minhas missões e meus deveres. Antes não era assim, porém este livro mudou minha vida. Sei que ainda temos que avançar muito na questão inclusão, pois essa política foi deixada de lado no nosso município. Porém, com parceiros como a SBB, demos os primeiros passos”, conta Moretti.
O morador do bairro São Mateus, Marcos Paulino de Melo, é deficiente visual e professor bíblico. Ele relata que ficou deficiente visual aos 25 anos por conta da atrofia do nervo óptico. Durante sua vida, ele teve dificuldades na escola, passou por crises depressivas e atentou contra a própria vida. Já o seu livro preferido, Marcos conta que as suas escrituras favoritas são as cartas do apóstolo Paulo aos Romanos e aos Tessalonicenses. Ele ainda lembra que sempre ouvia a bíblia somente por áudios e ficou emocionado ao começar a ler durante a solenidade. “Passei por muitas dificuldades, porém, as superei graças a Deus. Essa é a primeira vez que leio a bíblia, por isso me emocionei. Sei que esse material é muito caro e de difícil acesso para nós, fiquei muito feliz em poder tocar e ler a palavra do nosso Deus. Tenho certeza que será um grande instrumento na vida de muitos cegos”, conta Marcos.
A coordenadora de projetos sociais da Sociedade Brasileira Bíblica de Brasília (DF), Rose Santos, declara que um exemplar bíblico contém 38 volumes. “Esta é uma bíblia completa de Gênesis ao Apocalipse. Quando falamos em cidade inclusiva devemos assegurar também acesso àqueles que querem ler. Além de entregarmos esse exemplar às instituições públicas, também doamos por meio de um cadastro em nosso site oficial”, relata Rose.
Conforme a secretária de Assistência Social, Cristina Saito, “parcerias como essas são importantes para o Município, ainda mais quando o assunto é inclusão”, disse.
A assessora especial de políticas públicas de inclusão, Priscila Lima, ainda lembra que o Município está realizando ações para todas as pessoas com deficiência. “Incluir é fundamental. Estamos realizando ações importantes para que todos sejam atendidos, como por exemplo, o cadastro de identificação da pessoa com deficiência. Isso é muito importante, pois é a partir dele que estaremos tendo informações fundamentais para realizar diversas políticas públicas”, conta Priscila.
O presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, Dinei Ribeiro, relata que esta ação já era muito esperada pelos deficientes visuais. “Estou há 15 anos pedindo uma ação como essa e, agora, nessa gestão, em apenas três meses conseguimos. Parabéns a todos envolvidos, pois isso é inclusão”, disse.
Acompanharam a solenidade as secretárias e os secretários de: Assistência Social, Cristina Saito, Gestão Fazendária, José Francisco Mazzuco Júnior, Assuntos Estratégicos, Ina de Maria. Também estiveram presentes, o presidente da Associação de Ministros e Intercessores de Várzea Grande, bispo Gustavo Duarte, a presidente do diretório da SBB em Mato Grosso, Nilse Berlatto e a conselheira da Defesa do Direito da Pessoa com Deficiência, Sirlei Silva.
VÁRZEA GRANDE
Zoonoses de Várzea Grande faz alerta para alta de casos positivos e pede atenção da população aos sinais da doença
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Várzea Grande sempre foi uma região considerada endêmica para a Leishmaniose Visceral Canina (LVC), uma doença de caráter zoonótico causada por um protozoário do gênero Leishimania, transmitida pela picada do mosquito-palha e portanto afetando tanto humanos quanto animais. Não passa diretamente de uma pessoa para outra, no entanto, começa silenciosa e justamente por isso, vai se proliferando por meio do ataque dos mosquitos palhas, pois precisa do mosquito Lutzomyia longipalpis e outras espécies do gênero para disseminação da doença.
No ambiente urbano, o cão atua como o principal reservatório do protozoário. Portanto, o aumento de casos nos animais eleva diretamente o risco de contágio para os seres humanos.
Como explica o Médico Veterinário e Responsável Técnico do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ VG), Luciano Miranda, a pressão da doença no Município deixa as autoridades em Saúde Pública sempre em alerta. “Somente neste ano, de janeiro a junho, já registramos quase 500 testes realizados em animais suspeitos de LVC em Várzea Grande. Uma das explicações para alta incidência está no avanço do desmatamento urbano, com as habitações e a circulação de pessoas avançando cada vez mais nessas regiões. Um exemplo dessa realidade no Município é a região do Jardim Maringá, em plena expansão, e concidentemente tendio um aumento de sua incidência nessa região.
Apesar do bairro ser destaque nesse mapeamento, o Médico Veterinário faz questão de ressaltar que a doença não pode mais ser ‘marginalizada’, pois já se encontram casos de cães positivos que vivem com seus tutores em apartamentos. Essa constatação só reforça o sinal de alerta para a prevenção e cuidados com nossos pets”.
SINAIS DE ALERTA – O Dr. Luciano chama à atenção para sintomas clássicos como o emagrecimento sem sentido algum, onde o animal muitas vezes está comendo bem, porém o pet nunca engorda e fica na situação cada vez mais de emagrecimento. Isso porque provavelmente a doença já atingiu fígado, o baço, que são um dos órgãos mais acometidos pela doença. No geral o animal come, mas o fígado atacado e inflamado, não consegue atuar de forma normal em seu auxílio à digestão, levando ao emagrecimento progressivo. Além do emagrecimento, existem as feridinhas, queda de pelos, etc onde essas feridas acabam por nunca se cicatrizarem, principalmente em extremidades de focinho e pavilhão auricular, etc. Em relação à crença de que unhas compridas são sinal de leishmaniose, Miranda esclarece que nem sempre essa observação é o suficiente para se condenar um animalzinho, pois fatores externos, como o piso liso farão com que o cãozinho não tenha o desfaste de suas unhas. Aí existem pessoas que por causa da unha trazem o cãozinho no CCZ para eutanásia”.
Sobre a eutanásia, ela só é feita no CCZ VG quando há comprovação do diagnóstico da doença, conforme determinação do Ministério da Saúde. “O diagnóstico é essencial, pois hão doenças que parecem ser a leishmaniose sendo confundidas com a mesma, daí sendo interessante fazermos os testes diagnósticos para a comprovação ou não da doença. Dentre doenças que podem ser confundidas com a Leishimaniose, temos
doenças bacterianas, fúngicas, doenças auto imunes e até mesmo a sarna. “Infelizmente a população muitas vezes chega aqui impondo eutanásia no animal sem qualquer comprovação. Diante da nossa negativa em relação ao sacrifício, há agressões com palavras e ameaças de todo tipo”, lamenta.
Em caso de suspeita, o tutor pode levar o animalzinho até o CCZ VG para realizar a testagem e confirmação ou não da doença. O CCZ diariamente realiza o teste de triagem dos casos suspeitos sendo o diagnóstico final realizado pelo laboratório do Estado (Lacen), necessitando assim da comprovação de todos os testes citados para a comprovação da doença.
“A população em geral precisa entender que cachorro com excesso de carrapatos, cachorro com viroses como Parvovirose e Cinomose não são casos de atendimento do CCZ por não se tratarem de zoonoses. Nós não somos centro de descarte de animais. Somos um centro de controle e prevenção de zoonoses”, desabafa o Responsável Técnico.
MANEJO – A equipe veterinária do setor de monitoramento de zoonoses reforça que os números refletem uma urgência de mobilização social. “Precisamos que a população entenda que o combate ao vetor é a única forma de interromper essa cadeia de transmissão e esse combate é o mesmo que vale para o Aedes aegypti”, reforça o Médico Veterinário.
Como não há campanhas públicas de vacinação em massa contra a leishmaniose voltadas para animais, as diretrizes do Ministério da Saúde focam no manejo ambiental e na proteção individual dos cães. A recomendação técnica principal foca no uso de barreiras químicas e físicas.
“O uso contínuo de coleiras repelentes à base de deltametrina e a limpeza rigorosa de quintais, eliminando folhas e frutos caídos (matéria úmida) são no entanto as únicas barreiras eficientes para proteger as famílias e os pets”, completa.
SERVIÇO – Os moradores que precisarem realizar testes em seus animais ou denunciar focos de alta infestação podem entrar em contato com o CCZ de Várzea Grande em horário comercial, localizado na Rua 42, Bairro Jardim Paiaguás I, ou, pelo (65) 98476-5719.
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