VÁRZEA GRANDE
Prefeitura e Estado selam parceria inédita para fortalecer agricultura familiar de Várzea Grande
VÁRZEA GRANDE
Empaer terá dentro da secretaria municipal um escritório técnico com seis profissionais e um administrativo para oferecer consultoria e capacitação a pelo menos 100 Unidades de Produção Familiar no Município
“Nosso objetivo é que os pequenos produtores da agricultura familiar de Várzea Grande sejam grandes no pequeno espaço que eles têm”. Com essas palavras, a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), deu as boas-vindas aos técnicos da Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer-MT) durante a assinatura do Termo de Cooperação com o governo do Estado de Mato Grosso. O evento ocorreu realizado ontem (17), no gabinete da prefeita, marca um avanço para o fortalecimento da assistência técnica e extensão rural no município.
A primeira conquista da parceria é a implantação de um escritório técnico municipal da Empaer dentro da secretaria municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável (SEMMADRS). Com a presença de seis técnicos e um profissional administrativo, o escritório oferecerá consultoria e capacitação a pelo menos 100 Unidades de Produção Familiar (UPFs), beneficiando diretamente os pequenos produtores da agricultura familiar. Além disso, serão implementadas Unidades de Transferência Tecnológica (URTs) para aprimorar a produção em diversas cadeias de valor, como piscicultura, apicultura, bovinocultura e horticultura.
O presidente da Empaer, Suelme Fernandes, destacou a importância da iniciativa: “Nós, mais do que conversa, já estamos, com menos de dois meses fazendo ações concretas em Várzea Grande. Quantos pequenos produtores e associações não sonharam com o dia em que a Empaer e prefeitura estariam juntos no mesmo espaço para atender diretamente o produtor? Agora, isso se tornou realidade. A prefeita pode contar com nosso time altamente qualificado, formado por técnicos das melhores universidades do Brasil, para transformar a agricultura familiar do Município”, afirmou.
A parceria entre prefeitura e governo do Estado não envolve repasse financeiro, mas a administração municipal será responsável por fornecer infraestrutura, veículos e insumos necessários para a execução do plano de trabalho. O acordo também prevê suporte à regularização jurídica e administrativa de associações e cooperativas rurais, além da participação da Empaer no Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS), contribuindo para a elaboração do Plano Municipal da Agricultura Familiar (PMAF).
O secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável, Ricardo Costa Amorim, reforçou o impacto positivo da iniciativa: “Esse termo de cooperação traz conhecimento agregado à técnica da Empaer junto à Secretaria. Apesar de o Município ter apenas 10% de sua área voltada à produção rural, conseguimos abastecer nossa cidade. Precisamos de capacitação, instrumentos e maquinário, e a Empaer traz sua expertise. Os técnicos estarão alocados dentro da secretaria, integrando todas as ações voltadas às comunidades produtoras do Município”, explicou.
Durante a solenidade, a prefeita Flávia Moretti ressaltou ainda a importância da conectividade no meio rural, destacando que busca viabilizar junto ao governo federal a implementação da internet nas regiões agrícolas do município. “Muitos produtores não têm acesso à internet, e isso dificulta desde a comunicação até a comercialização de seus produtos. Já estou articulando com o Ministério das Comunicações para trazer esse avanço à nossa zona rural”, assegurou.
A cerimônia contou com a presença do diretor de Assistência Técnica e Extensão Rural da Empaer, Marcos Paulo, além dos vereadores Caio Cordeiro e Lucas Ribeiro (Chapéu do Sol), do secretário municipal de Governo, Benedito Lucas Miranda, e do secretário municipal de Assuntos Estratégicos, Carlos Alberto de Araújo. O Termo de Cooperação terá validade de dois anos, podendo ser renovado.
ERRADICAR POBREZA RURAL – Suelme Fernandes aproveitou o encontro para anunciar novos projetos em parceria entre o governo do Estado e o Município, com o objetivo de erradicar a pobreza rural e fortalecer a agricultura familiar. “Vamos lançar um edital que beneficiará 90 produtores com um auxílio de R$ 6 mil cada, valor que poderá ser investido na compra de equipamentos como fogões industriais, freezers, máquinas de costura, insumos para produção de alimentos, entre outros. Esse recurso é não reembolsável, garantindo que os pequenos agricultores possam estruturar seus negócios e gerar renda”, garantiu.
O presidente da Empaer também ressaltou que outros projetos de inclusão produtiva serão implementados, com financiamentos diferenciados de até R$ 50 mil, com taxa de juros de 4% ao ano e possibilidade de abatimento de 100% dos juros para aqueles que mantiverem os pagamentos em dia. “Esse é um financiamento que realmente faz a diferença na vida dos produtores, permitindo que eles cresçam de forma sustentável e conquistem sua autonomia financeira”, completou.
Além disso, ele destacou que o governo estadual está comprometido com investimentos em infraestrutura e assistência técnica na zona rural de Várzea Grande. “Nosso desafio é transformar a agricultura familiar da região, levando conhecimento, recursos e dignidade para os produtores. A independência política e econômica da baixada cuiabana passa pela geração de emprego e renda para seus moradores, e essa parceria entre Estado e município é fundamental para essa transformação”, concluiu.
VÁRZEA GRANDE
Zoonoses de Várzea Grande faz alerta para alta de casos positivos e pede atenção da população aos sinais da doença
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Várzea Grande sempre foi uma região considerada endêmica para a Leishmaniose Visceral Canina (LVC), uma doença de caráter zoonótico causada por um protozoário do gênero Leishimania, transmitida pela picada do mosquito-palha e portanto afetando tanto humanos quanto animais. Não passa diretamente de uma pessoa para outra, no entanto, começa silenciosa e justamente por isso, vai se proliferando por meio do ataque dos mosquitos palhas, pois precisa do mosquito Lutzomyia longipalpis e outras espécies do gênero para disseminação da doença.
No ambiente urbano, o cão atua como o principal reservatório do protozoário. Portanto, o aumento de casos nos animais eleva diretamente o risco de contágio para os seres humanos.
Como explica o Médico Veterinário e Responsável Técnico do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ VG), Luciano Miranda, a pressão da doença no Município deixa as autoridades em Saúde Pública sempre em alerta. “Somente neste ano, de janeiro a junho, já registramos quase 500 testes realizados em animais suspeitos de LVC em Várzea Grande. Uma das explicações para alta incidência está no avanço do desmatamento urbano, com as habitações e a circulação de pessoas avançando cada vez mais nessas regiões. Um exemplo dessa realidade no Município é a região do Jardim Maringá, em plena expansão, e concidentemente tendio um aumento de sua incidência nessa região.
Apesar do bairro ser destaque nesse mapeamento, o Médico Veterinário faz questão de ressaltar que a doença não pode mais ser ‘marginalizada’, pois já se encontram casos de cães positivos que vivem com seus tutores em apartamentos. Essa constatação só reforça o sinal de alerta para a prevenção e cuidados com nossos pets”.
SINAIS DE ALERTA – O Dr. Luciano chama à atenção para sintomas clássicos como o emagrecimento sem sentido algum, onde o animal muitas vezes está comendo bem, porém o pet nunca engorda e fica na situação cada vez mais de emagrecimento. Isso porque provavelmente a doença já atingiu fígado, o baço, que são um dos órgãos mais acometidos pela doença. No geral o animal come, mas o fígado atacado e inflamado, não consegue atuar de forma normal em seu auxílio à digestão, levando ao emagrecimento progressivo. Além do emagrecimento, existem as feridinhas, queda de pelos, etc onde essas feridas acabam por nunca se cicatrizarem, principalmente em extremidades de focinho e pavilhão auricular, etc. Em relação à crença de que unhas compridas são sinal de leishmaniose, Miranda esclarece que nem sempre essa observação é o suficiente para se condenar um animalzinho, pois fatores externos, como o piso liso farão com que o cãozinho não tenha o desfaste de suas unhas. Aí existem pessoas que por causa da unha trazem o cãozinho no CCZ para eutanásia”.
Sobre a eutanásia, ela só é feita no CCZ VG quando há comprovação do diagnóstico da doença, conforme determinação do Ministério da Saúde. “O diagnóstico é essencial, pois hão doenças que parecem ser a leishmaniose sendo confundidas com a mesma, daí sendo interessante fazermos os testes diagnósticos para a comprovação ou não da doença. Dentre doenças que podem ser confundidas com a Leishimaniose, temos
doenças bacterianas, fúngicas, doenças auto imunes e até mesmo a sarna. “Infelizmente a população muitas vezes chega aqui impondo eutanásia no animal sem qualquer comprovação. Diante da nossa negativa em relação ao sacrifício, há agressões com palavras e ameaças de todo tipo”, lamenta.
Em caso de suspeita, o tutor pode levar o animalzinho até o CCZ VG para realizar a testagem e confirmação ou não da doença. O CCZ diariamente realiza o teste de triagem dos casos suspeitos sendo o diagnóstico final realizado pelo laboratório do Estado (Lacen), necessitando assim da comprovação de todos os testes citados para a comprovação da doença.
“A população em geral precisa entender que cachorro com excesso de carrapatos, cachorro com viroses como Parvovirose e Cinomose não são casos de atendimento do CCZ por não se tratarem de zoonoses. Nós não somos centro de descarte de animais. Somos um centro de controle e prevenção de zoonoses”, desabafa o Responsável Técnico.
MANEJO – A equipe veterinária do setor de monitoramento de zoonoses reforça que os números refletem uma urgência de mobilização social. “Precisamos que a população entenda que o combate ao vetor é a única forma de interromper essa cadeia de transmissão e esse combate é o mesmo que vale para o Aedes aegypti”, reforça o Médico Veterinário.
Como não há campanhas públicas de vacinação em massa contra a leishmaniose voltadas para animais, as diretrizes do Ministério da Saúde focam no manejo ambiental e na proteção individual dos cães. A recomendação técnica principal foca no uso de barreiras químicas e físicas.
“O uso contínuo de coleiras repelentes à base de deltametrina e a limpeza rigorosa de quintais, eliminando folhas e frutos caídos (matéria úmida) são no entanto as únicas barreiras eficientes para proteger as famílias e os pets”, completa.
SERVIÇO – Os moradores que precisarem realizar testes em seus animais ou denunciar focos de alta infestação podem entrar em contato com o CCZ de Várzea Grande em horário comercial, localizado na Rua 42, Bairro Jardim Paiaguás I, ou, pelo (65) 98476-5719.
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