VÁRZEA GRANDE
Prefeita e secretária de Saúde de Várzea Grande recebem diretoria do CRM-MT
VÁRZEA GRANDE
O Conselho Federal de Medicina veio a Cuiabá para ser solidário à médica e ao Conselho Regional e contribuir para as ações que serão tomadas daqui para frente em defesa dos profissionais e da medicina mato-grossense
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL) e a secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, receberam, no final da tarde de hoje (13), a visita do presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM-MT), Diogo Sampaio, e uma comissão do órgão. Ele veio a Várzea Grande para dar apoio à gestão e, também para pedir a colaboração da secretaria municipal no sentido de disponibilizar imagens de vídeos de monitoramento, documentos, fotos e quaisquer outros materiais que possam instruir o processo judicial, que o Conselho está movendo em desfavor do vereador Kleberton Feitoza (PSB).
Na última semana o vereador entrou no Pronto-Socorro e Hospital Municipal de Várzea Grande (PSHMVG), percorreu a unidade de Urgência e Emergência, e causou constrangimento a uma médica que estava em horário de descanso, depois de horas exaustivas de trabalho. O presidente comunicou ainda que o Conselho Federal de Medicina (FM) veio a Cuiabá para ser solidário à médica e ao Conselho Regional. Eles também agirão firmemente contra o parlamentar “para que isso não aconteça nunca mais, não só em Várzea Grande como em Mato Grosso”.
Durante a visita, o presidente do CRM-MT entregou um ofício para que seja ampliada a segurança dentro das unidades de saúde para garantia da integridade física dos profissionais. “Já entramos com uma representação na Câmara Municipal pedindo a cassação do vereador Feitoza por todas as suas ações, gravíssimas, contra aos profissionais de saúde e, de suas ações em áreas restritas da unidade hospitalar, que além de colocar em risco à população, colocando em risco a vida desses profissionais e prejudica o atendimento aos pacientes. Viemos aqui pedir apoio da prefeitura e da secretária, e também para obter outras informações”, informou Diogo Sampaio.
A prefeita Flávia Moretti (PL) destacou que respeita a função fiscalizadora do Poder Legislativo, porém, que os atos devem ser feitos com respeito. “Não podemos tolerar mais desrespeito contra os nossos profissionais de Várzea Grande. Presto aqui minha solidariedade à médica e a todas as outras profissionais da saúde que foram constrangidas pelo vereador. Não temos nada a esconder, respeitamos e apoiamos a fiscalização dos vereadores, porém, não podem desrespeitar, ofender e agredir os servidores”, disse a prefeita.
Moretti pontuou ainda que os fatos recentes se deram exatamente às vésperas das comemorações pelo Dia Internacional da Mulher e no mês dedicado à valorização e conscientização do ser mulher. “A prefeitura está com uma programação de eventos e ações para março. Nossa pauta é dar um basta à violência política, mas infelizmente, nos deparamos cotidianamente, com essa realidade”.
A secretária de Saúde, Deisi Bocalon, agradeceu a visita e reafirmou a disposição da Pasta em fornecer todas as imagens e documentos que possam contribuir para a resolução do fato. ”É necessário que tenhamos uma fiscalização respeitosa. Não temos intenção de esconder nada, temos consciência das limitações e problemáticas vivenciadas pelo município. Temos um caminho árduo pela frente. Mas, há pilares de respeito que precisam ser observados. Todo e qualquer vereador será sempre bem-vindo em todas nossas unidades, mas, a cordialidade de ambos os lados precisa ser respeitada”.
A secretária lembrou que há exatamente um mês, no dia 13 de fevereiro, ela acompanhou o vereador Feitoza em visitas ao PSHMVG, à Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Cabo Michel e às Unidades de Pronto Atendimento (UPA) do Ipase e Cristo Rei.
“Percorremos esses locais, conversamos com os pacientes e com os servidores, para saber da funcionalidade e do que precisa ser melhorado. Em todos os locais visitados, o vereador Feitoza pôde constatar o aumento dos casos de arboviroses e também observar a demanda crescente de pacientes a procura por atendimentos”.
O presidente do CRM-MT, disse ainda que o vereador tem todo o direito de fiscalizar o parlamento, mas existem alguns limites nas unidades de saúde. “Tem áreas restritas, situações muito especiais, por isso a própria Constituição Federal outorga aos conselhos dos profissionais essa fiscalização. O Conselho Federal, junto dos conselhos regionais, fiscaliza a medicina e normatiza a medicina em todo o Brasil, para que garanta a segurança da população e, inclusive contribuindo com os gestores para o melhor atendimento à população. E a gente precisa mostrar isso, que o parlamentar ‘pode’, assim quando ele tem vontade mesmo de fiscalizar, mas nesse caso o vereador não estava fiscalizando. Ele estava ali para angariar curtidas em suas redes sociais. Nitidamente pelos relatos, documentos já apresentados e os documentos que iremos receber da prefeitura de Várzea Grande, fica claro que o motivo ali não era de verificar realmente o atendimento à população”.
COLETIVA – O presidente do Conselho Federal de Medicina, José Hiran da Silva Gallo, a 2ª vice-presidente, Rosylane Nascimento da Rocha, e o 2º secretário Estevam Rivello Alves, vieram a Cuiabá para ouvir a médica do Pronto-Socorro de Várzea Grande. Uma coletiva de imprensa foi realizada nesta tarde, no auditório do Hotel Deville, onde os representantes do Conselho Federal discutiram o caso e as medidas que serão tomadas. (Colaborou Marianna Peres)
VÁRZEA GRANDE
Zoonoses de Várzea Grande faz alerta para alta de casos positivos e pede atenção da população aos sinais da doença
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Várzea Grande sempre foi uma região considerada endêmica para a Leishmaniose Visceral Canina (LVC), uma doença de caráter zoonótico causada por um protozoário do gênero Leishimania, transmitida pela picada do mosquito-palha e portanto afetando tanto humanos quanto animais. Não passa diretamente de uma pessoa para outra, no entanto, começa silenciosa e justamente por isso, vai se proliferando por meio do ataque dos mosquitos palhas, pois precisa do mosquito Lutzomyia longipalpis e outras espécies do gênero para disseminação da doença.
No ambiente urbano, o cão atua como o principal reservatório do protozoário. Portanto, o aumento de casos nos animais eleva diretamente o risco de contágio para os seres humanos.
Como explica o Médico Veterinário e Responsável Técnico do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ VG), Luciano Miranda, a pressão da doença no Município deixa as autoridades em Saúde Pública sempre em alerta. “Somente neste ano, de janeiro a junho, já registramos quase 500 testes realizados em animais suspeitos de LVC em Várzea Grande. Uma das explicações para alta incidência está no avanço do desmatamento urbano, com as habitações e a circulação de pessoas avançando cada vez mais nessas regiões. Um exemplo dessa realidade no Município é a região do Jardim Maringá, em plena expansão, e concidentemente tendio um aumento de sua incidência nessa região.
Apesar do bairro ser destaque nesse mapeamento, o Médico Veterinário faz questão de ressaltar que a doença não pode mais ser ‘marginalizada’, pois já se encontram casos de cães positivos que vivem com seus tutores em apartamentos. Essa constatação só reforça o sinal de alerta para a prevenção e cuidados com nossos pets”.
SINAIS DE ALERTA – O Dr. Luciano chama à atenção para sintomas clássicos como o emagrecimento sem sentido algum, onde o animal muitas vezes está comendo bem, porém o pet nunca engorda e fica na situação cada vez mais de emagrecimento. Isso porque provavelmente a doença já atingiu fígado, o baço, que são um dos órgãos mais acometidos pela doença. No geral o animal come, mas o fígado atacado e inflamado, não consegue atuar de forma normal em seu auxílio à digestão, levando ao emagrecimento progressivo. Além do emagrecimento, existem as feridinhas, queda de pelos, etc onde essas feridas acabam por nunca se cicatrizarem, principalmente em extremidades de focinho e pavilhão auricular, etc. Em relação à crença de que unhas compridas são sinal de leishmaniose, Miranda esclarece que nem sempre essa observação é o suficiente para se condenar um animalzinho, pois fatores externos, como o piso liso farão com que o cãozinho não tenha o desfaste de suas unhas. Aí existem pessoas que por causa da unha trazem o cãozinho no CCZ para eutanásia”.
Sobre a eutanásia, ela só é feita no CCZ VG quando há comprovação do diagnóstico da doença, conforme determinação do Ministério da Saúde. “O diagnóstico é essencial, pois hão doenças que parecem ser a leishmaniose sendo confundidas com a mesma, daí sendo interessante fazermos os testes diagnósticos para a comprovação ou não da doença. Dentre doenças que podem ser confundidas com a Leishimaniose, temos
doenças bacterianas, fúngicas, doenças auto imunes e até mesmo a sarna. “Infelizmente a população muitas vezes chega aqui impondo eutanásia no animal sem qualquer comprovação. Diante da nossa negativa em relação ao sacrifício, há agressões com palavras e ameaças de todo tipo”, lamenta.
Em caso de suspeita, o tutor pode levar o animalzinho até o CCZ VG para realizar a testagem e confirmação ou não da doença. O CCZ diariamente realiza o teste de triagem dos casos suspeitos sendo o diagnóstico final realizado pelo laboratório do Estado (Lacen), necessitando assim da comprovação de todos os testes citados para a comprovação da doença.
“A população em geral precisa entender que cachorro com excesso de carrapatos, cachorro com viroses como Parvovirose e Cinomose não são casos de atendimento do CCZ por não se tratarem de zoonoses. Nós não somos centro de descarte de animais. Somos um centro de controle e prevenção de zoonoses”, desabafa o Responsável Técnico.
MANEJO – A equipe veterinária do setor de monitoramento de zoonoses reforça que os números refletem uma urgência de mobilização social. “Precisamos que a população entenda que o combate ao vetor é a única forma de interromper essa cadeia de transmissão e esse combate é o mesmo que vale para o Aedes aegypti”, reforça o Médico Veterinário.
Como não há campanhas públicas de vacinação em massa contra a leishmaniose voltadas para animais, as diretrizes do Ministério da Saúde focam no manejo ambiental e na proteção individual dos cães. A recomendação técnica principal foca no uso de barreiras químicas e físicas.
“O uso contínuo de coleiras repelentes à base de deltametrina e a limpeza rigorosa de quintais, eliminando folhas e frutos caídos (matéria úmida) são no entanto as únicas barreiras eficientes para proteger as famílias e os pets”, completa.
SERVIÇO – Os moradores que precisarem realizar testes em seus animais ou denunciar focos de alta infestação podem entrar em contato com o CCZ de Várzea Grande em horário comercial, localizado na Rua 42, Bairro Jardim Paiaguás I, ou, pelo (65) 98476-5719.
Galeria de Fotos (2 fotos)
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