VÁRZEA GRANDE
Dos povos originários ao polo econômico de Mato Grosso: Várzea Grande celebra 159 anos de história, tradição e desenvolvimento
VÁRZEA GRANDE
No dia 15 de maio de 1867, durante a Guerra do Paraguai, o então presidente da Província de Mato Grosso, José Vieira Couto Magalhães, criou um campo de concentração em uma região de várzea localizada à margem direita do Rio Cuiabá. O objetivo era manter os prisioneiros paraguaios afastados da população cuiabana, prevenindo conflitos com soldados ligados ao presidente paraguaio Francisco Solano López. Assim nasceu Várzea Grande.
Conforme relata o historiador José Wilson Tavares, a região já era habitada por bandeirantes paulistas que se aventuravam em busca de riquezas e utilizavam o local como importante corredor comercial entre Cuiabá e Nossa Senhora do Livramento.
“À disposição dos prisioneiros havia um corpo de guarda, executado por soldados provinciais, para vigiá-los e protegê-los de possíveis ataques dos cuiabanos, revoltados com as atrocidades praticadas pelos soldados paraguaios sob o comando de Francisco Solano López”, descreve o historiador no livro Várzea Grande História e Tradição.
Os primeiros povos
Muito antes da criação do campo de concentração por Couto Magalhães, a região já era ocupada pelo povo originário Guaná. Os indígenas são reconhecidos pela arte de tecer redes, tradição que deu origem à famosa e mundialmente conhecida rede várzea-grandense.
Os Guanás eram considerados pacíficos, católicos e hospitaleiros, mantendo contato frequente com bandeirantes paulistas e moradores de Cuiabá. Há registros históricos de que, em 1832, receberam doação de terras por meio de Sesmarias do Governo Imperial. Por isso, a região passou a ser conhecida como “Várzea Grande dos Índios Guanás”.
A localidade também se consolidou como passagem obrigatória das boiadas vindas de Rosário do Rio Acima — atualmente Rosário Oeste — em direção a Cuiabá.
Fatos históricos
Com o fim da Guerra do Paraguai, pessoas de várias localidades, especialmente de Nossa Senhora do Livramento, passaram a fixar residência no povoado em crescimento. Surgiram então os primeiros comerciantes da região.
Em 4 de julho de 1874, foi inaugurada a primeira balsa, iniciando oficialmente a travessia entre Cuiabá e Várzea Grande.
Pela Lei Provincial nº 145, de 6 de abril de 1886, o povoado foi elevado à categoria de Paróquia. Em 1899, a Paróquia já contava com cartório, subdelegacia de polícia, duas pequenas escolas e urna eleitoral.
Já em 1942, quando ainda era distrito de Cuiabá, o então interventor da Era Vargas, Júlio Müller, inaugurou a primeira ponte de concreto ligando Várzea Grande à capital, além de implantar energia elétrica na região, impulsionando o crescimento do então terceiro distrito.
Várzea Grande conquistou emancipação política por meio da Lei Estadual nº 126, de 23 de setembro de 1948, criada pelo então deputado Licínio Monteiro. O município foi formado por áreas desmembradas de Cuiabá e Nossa Senhora do Livramento. O primeiro prefeito nomeado foi o major Gonçalo Romão de Figueiredo.
Cultura e tradição
Além da tradicional arte de tecer redes, Várzea Grande também é reconhecida por suas manifestações culturais e festas religiosas, como as celebrações de Nossa Senhora da Guia e São Pedro.
A culinária é outro destaque do município, especialmente pela famosa Rota do Peixe, localizada na comunidade de Bonsucesso. A cidade também preserva manifestações típicas como o siriri, o cururu, o lambadão e a viola de cocho, símbolos da cultura mato-grossense.
“Várzea Grande é história, Várzea Grande é tradição. Nosso município é rico. Temos muito orgulho de ser várzea-grandense. Nosso passado é lindo, mas estamos construindo um futuro ainda melhor”, destacou a prefeita Flávia Moretti.
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Zoonoses de Várzea Grande faz alerta para alta de casos positivos e pede atenção da população aos sinais da doença
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Várzea Grande sempre foi uma região considerada endêmica para a Leishmaniose Visceral Canina (LVC), uma doença de caráter zoonótico causada por um protozoário do gênero Leishimania, transmitida pela picada do mosquito-palha e portanto afetando tanto humanos quanto animais. Não passa diretamente de uma pessoa para outra, no entanto, começa silenciosa e justamente por isso, vai se proliferando por meio do ataque dos mosquitos palhas, pois precisa do mosquito Lutzomyia longipalpis e outras espécies do gênero para disseminação da doença.
No ambiente urbano, o cão atua como o principal reservatório do protozoário. Portanto, o aumento de casos nos animais eleva diretamente o risco de contágio para os seres humanos.
Como explica o Médico Veterinário e Responsável Técnico do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ VG), Luciano Miranda, a pressão da doença no Município deixa as autoridades em Saúde Pública sempre em alerta. “Somente neste ano, de janeiro a junho, já registramos quase 500 testes realizados em animais suspeitos de LVC em Várzea Grande. Uma das explicações para alta incidência está no avanço do desmatamento urbano, com as habitações e a circulação de pessoas avançando cada vez mais nessas regiões. Um exemplo dessa realidade no Município é a região do Jardim Maringá, em plena expansão, e concidentemente tendio um aumento de sua incidência nessa região.
Apesar do bairro ser destaque nesse mapeamento, o Médico Veterinário faz questão de ressaltar que a doença não pode mais ser ‘marginalizada’, pois já se encontram casos de cães positivos que vivem com seus tutores em apartamentos. Essa constatação só reforça o sinal de alerta para a prevenção e cuidados com nossos pets”.
SINAIS DE ALERTA – O Dr. Luciano chama à atenção para sintomas clássicos como o emagrecimento sem sentido algum, onde o animal muitas vezes está comendo bem, porém o pet nunca engorda e fica na situação cada vez mais de emagrecimento. Isso porque provavelmente a doença já atingiu fígado, o baço, que são um dos órgãos mais acometidos pela doença. No geral o animal come, mas o fígado atacado e inflamado, não consegue atuar de forma normal em seu auxílio à digestão, levando ao emagrecimento progressivo. Além do emagrecimento, existem as feridinhas, queda de pelos, etc onde essas feridas acabam por nunca se cicatrizarem, principalmente em extremidades de focinho e pavilhão auricular, etc. Em relação à crença de que unhas compridas são sinal de leishmaniose, Miranda esclarece que nem sempre essa observação é o suficiente para se condenar um animalzinho, pois fatores externos, como o piso liso farão com que o cãozinho não tenha o desfaste de suas unhas. Aí existem pessoas que por causa da unha trazem o cãozinho no CCZ para eutanásia”.
Sobre a eutanásia, ela só é feita no CCZ VG quando há comprovação do diagnóstico da doença, conforme determinação do Ministério da Saúde. “O diagnóstico é essencial, pois hão doenças que parecem ser a leishmaniose sendo confundidas com a mesma, daí sendo interessante fazermos os testes diagnósticos para a comprovação ou não da doença. Dentre doenças que podem ser confundidas com a Leishimaniose, temos
doenças bacterianas, fúngicas, doenças auto imunes e até mesmo a sarna. “Infelizmente a população muitas vezes chega aqui impondo eutanásia no animal sem qualquer comprovação. Diante da nossa negativa em relação ao sacrifício, há agressões com palavras e ameaças de todo tipo”, lamenta.
Em caso de suspeita, o tutor pode levar o animalzinho até o CCZ VG para realizar a testagem e confirmação ou não da doença. O CCZ diariamente realiza o teste de triagem dos casos suspeitos sendo o diagnóstico final realizado pelo laboratório do Estado (Lacen), necessitando assim da comprovação de todos os testes citados para a comprovação da doença.
“A população em geral precisa entender que cachorro com excesso de carrapatos, cachorro com viroses como Parvovirose e Cinomose não são casos de atendimento do CCZ por não se tratarem de zoonoses. Nós não somos centro de descarte de animais. Somos um centro de controle e prevenção de zoonoses”, desabafa o Responsável Técnico.
MANEJO – A equipe veterinária do setor de monitoramento de zoonoses reforça que os números refletem uma urgência de mobilização social. “Precisamos que a população entenda que o combate ao vetor é a única forma de interromper essa cadeia de transmissão e esse combate é o mesmo que vale para o Aedes aegypti”, reforça o Médico Veterinário.
Como não há campanhas públicas de vacinação em massa contra a leishmaniose voltadas para animais, as diretrizes do Ministério da Saúde focam no manejo ambiental e na proteção individual dos cães. A recomendação técnica principal foca no uso de barreiras químicas e físicas.
“O uso contínuo de coleiras repelentes à base de deltametrina e a limpeza rigorosa de quintais, eliminando folhas e frutos caídos (matéria úmida) são no entanto as únicas barreiras eficientes para proteger as famílias e os pets”, completa.
SERVIÇO – Os moradores que precisarem realizar testes em seus animais ou denunciar focos de alta infestação podem entrar em contato com o CCZ de Várzea Grande em horário comercial, localizado na Rua 42, Bairro Jardim Paiaguás I, ou, pelo (65) 98476-5719.
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