O show é delas: mulheres brasileiras fazem história, até agora, em Lima e somam feitos

Martine, Kahena, Luisa, Bruna, Milena, Jaqueline, Mariana, Iêda… As mulheres representam quase 49% do total de 485 atletas brasileiros nos Jogos Pan-Americanos de Lima. Mais que a maior igualdade de gêneros numa delegação do país em 68 anos de competição, elas têm colecionado feitos na capital peruana. Ouros inéditos, vaga olímpica, pódios em modalidades em que jamais haviam levado medalha, porta-bandeira, hegemonia ainda maior: até agora, a força está com elas.

– A gente vem desenvolvendo trabalho com nutricionista, parte tática, parte técnica, coaching, que é uma coisa que pode ajudar muito a gente mentalmente, fisicamente. Tudo a gente está buscando para ficar no alto nível e poder realmente buscar esses resultados tão bons e poder estar num nível excelente de performance – disse a armadora Deonise, que faturou seu quarto ouro em Pan com a seleção de handebol, seis vezes seguida campeã dos Jogos Pan-Americanos, a maior hegemonia brasileira na competição.

– A gente sente muito, a gente sabe que, infelizmente, nosso esporte não é um esporte muito apoiado no nosso país, e a gente sente isso na pele: a diferença que a gente vê entre homens e mulheres. Essa diferença de incentivo para os homens, não só para o handebol mas para o esporte em geral. É totalmente diferente quando você apresenta um projeto a uma empresa, quando o projeto é masculino e quando é para uma equipe feminina. Hoje, ainda sofre esse preconceito. A gente nunca vai deixar de lutar por esse motivo. A gente enfrenta muita dificuldade, mas vai continuar lutando por igualdade – completou Deonise.

Em Lima, saíram os primeiras conquistas de brasileiras no taekwondo (Milena Titoneli), no triatlo (Luisa Baptista) e na patinação artística (Bruna Wurts). Vieram também os primeiros pódios – dois bronzes – delas em modalidades como mountain bike (Jaqueline Mourão) e no wakeboard (Mariana Nep). No pentatlo moderno, Iêda Guimarães garantiu vaga nos Jogos Olímpicos, no próximo ano – sendo, entre homens e mulheres, a primeira do Brasil a se classificar, no Pan, para Tóquio 2020. As meninas do handebol aumentaram o domínio que vem desde o Pan de Winnipeg 1999 – seis ouros seguidos, o maior número de topo de pódios de qualquer modalidade nacional nos Jogos das Américas. De quebra, também asseguraram vaga em Tóquio 2020.

Luisa Baptista e Vittoria Lopes, dobradinha de ouro e prata no triatlo no Pan de Lima — Foto: Wander Roberto/COB
Luisa Baptista e Vittoria Lopes, dobradinha de ouro e prata no triatlo no Pan de Lima — Foto: Wander Roberto/COB

O ineditismo começou com a decisão do Comitê Olímpico do Brasil de escolher duas mulheres para carregar a bandeira brasileira no desfile da delegação na cerimônia de abertura, na sexta-feira. Nunca antes em Jogos Pan-Americanos uma atleta foi agraciada. Desta vez, em outra ação sem precedentes na competição, foram duas: as campeãs olímpicas Martine Grael e Kahena Kunze, da vela.

– Representando toda a mulherada do Brasil e os atletas, nosso coração ficou a mil mesmo depois do desfile – disse Martine, depois do desfile.

Um dia depois, no sábado, o primeiro ouro brasileiro em Lima saiu para uma mulher – novamente em dose dupla e o primeiro dos feitos delas em Lima. Luisa Baptista, ouro, e Vittoria Lopes, prata, formaram a dobradinha brasileira no triatlo. Jamais houve vitória feminina do país na modalidade numa edição do Pan.

– O Pan-Americano das mulheres, sem dúvida. Acho que, cada vez mais, o esporte está sendo aberto para as mulheres. Ainda fica um pouquinho atrás. A participação brasileira, hoje, no triatlo feminino é muito menor. Se for pegar o número de participantes, é sempre muito menor. Mas a gente vê que isso tem melhorado com o tempo. Com esse resultado, tomara que melhore mais ainda – disse Luisa ao GloboEsporte.com.

Milena Titoneli, ouro no taekwondo no Pan de Lima — Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br
Milena Titoneli, ouro no taekwondo no Pan de Lima — Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

O Pan de Lima reúne cerca de 6.580 atletas de 41 países das Américas. Dos 39 esportes, 22 valem como classificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. No total, o Brasil terá 485 atletas em ação na capital do Peru. 

Record News Cuiabá – Canal 7.1D – acompanhe o Pan de Lima

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